Apesar das “regras” que existem dentro do material lúdico, é
preciso, por vezes sair da “caixa” e adaptar as ferramentas para alcançar o outro.
Para um paciente específico, foi necessário adaptar uma via de comunicação. Teve um poder fantástico para desbloquear uma relação
que, até à data, tinha dificuldade em estabelecer-se, com a abertura
suficiente para recolher informação e trabalhar as suas suas
questões sociais. Esta ferramenta surgiu de forma espontânea, porque a criança
trouxe o seu próprio brinquedo e mostrou-me a sua “linguagem”.
Estou a falar de um objecto popular entre os mais jovens, o
Beyblade. Este pião, com arenas e combates, com especialidades e pontuação,
permite aceder a comportamentos de disputa, respeito (ou falta dele), à forma
como se coloca em relação ao outro e, desta forma, trabalhar a noção de si, do
comportamento, da forma como afecta os outros e as emoções que as suas atitudes
despoletam.
O Beyblade teve também um grande impacto perante uma criança, com algumas limitações físicas ao nível das mãos, experimentou pela primeira vez este brinquedo. Depois de várias tentativas e esforço, conseguiu lançar o pião com sucesso. Foi um momento de glória para ele e de promoção do seu auto-conceito. Foi uma sessão rica com um brinquedo que, à partida, não teria muito interesse terapêutico.
Este é um exemplo de como é importante “escutar” os
interesses da criança e de como aceder ao seu mundo interno, está a permitir que cheguemos até ela.
Quando uma criança traz o seu próprio brinquedo, poderá servir de porto seguro para si mesma mas também, está a convidar a conhecê-la e partilhar o que é seu internamente.
Mesmo quando é apenas descoberto no consultório, revela ser de grande potencialidade.
Quando uma criança traz o seu próprio brinquedo, poderá servir de porto seguro para si mesma mas também, está a convidar a conhecê-la e partilhar o que é seu internamente.
Mesmo quando é apenas descoberto no consultório, revela ser de grande potencialidade.
Até à próxima!

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