terça-feira, 8 de outubro de 2019

Beyblade | Rodar até escutar!

Apesar das “regras” que existem dentro do material lúdico, é preciso, por vezes sair da “caixa” e adaptar as ferramentas para alcançar o outro.

Para um paciente específico, foi necessário adaptar uma via de comunicação. Teve um poder fantástico para desbloquear uma relação que, até à data, tinha dificuldade em estabelecer-se, com a abertura suficiente para recolher informação e trabalhar as suas suas questões sociais. Esta ferramenta surgiu de forma espontânea, porque a criança trouxe o seu próprio brinquedo e mostrou-me a sua “linguagem”.

Estou a falar de um objecto popular entre os mais jovens, o Beyblade. Este pião, com arenas e combates, com especialidades e pontuação, permite aceder a comportamentos de disputa, respeito (ou falta dele), à forma como se coloca em relação ao outro e, desta forma, trabalhar a noção de si, do comportamento, da forma como afecta os outros e as emoções que as suas atitudes despoletam.
É um brinquedo com um significado latente de poder, superioridade, domínio, controlo, é uma ferramenta de proximidade. 


O Beyblade teve também um grande impacto perante  uma criança, com algumas limitações físicas ao nível das mãos, experimentou pela primeira vez este brinquedo. Depois de várias tentativas e esforço, conseguiu lançar o pião com sucesso. Foi um momento de glória para ele e de promoção do seu auto-conceito. Foi uma sessão rica com um brinquedo que, à partida, não teria muito interesse terapêutico. 


Este é um exemplo de como é importante “escutar” os interesses da criança e de como aceder ao seu mundo interno, está a permitir que cheguemos até ela.

Quando uma criança traz o seu próprio brinquedo, poderá servir de porto seguro para si mesma mas também, está a convidar a conhecê-la e partilhar o que é seu internamente. 
Mesmo quando é apenas descoberto no consultório, revela ser de grande potencialidade.

Até à próxima!

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