quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Qual o poder do UNO?





Desde sempre houve um UNO nos gabinetes onde trabalhei. Foram muito poucos os miúdos que não sabiam jogar. O que todos não sabiam é que estavam a fazer terapia enquanto mostravam a sua destreza enquanto jogador.

Muitas vezes apercebo-me que as crianças partilham com os pais que "jogaram UNO na sessão" ou "Só brincaram". Na perspectiva dos pais, entendo que possa parecer, de alguma forma, que não é terapia mas a comunicação mais real dá-se através do lúdico, em que, de uma forma autentica, transmitem-nos os sinais necessários para interpretarmos a sua verdadeira mensagem, a sua necessidade.


É um simples jogo mas que envolve várias funções executivas: o auto-controlo, a memória, a atenção, a flexibilidade cognitiva e outros domínios como o respeito pelo outro, pelo material, respeito pelas regras, a socialização e o desbloqueio de dificuldades em relacionar-se com o outro.


Ao técnico, permite analisar como o paciente gere a frustração, a forma como encara a competição, como se coloca perante um adversário (passividade ou agressividade), como assume a sua responsabilidade quando há enganos ou erros, se tende a manipular o jogo, como reage à derrota e à vitória, entre outros.


Podia partilhar convosco duas, três, quatro situações em que o UNO foi o facilitador para aceder ao mundo interno da criança... E com esse acesso podemos trabalhar as questões acima mencionadas mas também a auto-estima, a auto-confiança e, por outro lado, a humildade e analisar o impacto que as suas acções têm no outro.


Não subestimem este poderoso portal para o mundo das emoções, dos comportamentos e das atitudes.


Tem mais dúvidas sobre este jogo na prática de psicologia clínica? Será um bom tema para supervisão/intervisão! 

Se quiser mais informações, contacte 96 008 20 51, info@marquespsicologa.pt ou pela página de Facebook!

1 comentário:

  1. Olá Natalie, sim, gostava de saber um exemplo de como usar o uno para aceder ao mundo da criança! Obg

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